
“Olho meu reflexo, e uma unica pergunta se forma em meus lábios: “Será que era meu destino ficar só?”. E essa, como todas as minhas perguntas, fica sem resposta, sufocada em minha garganta. Eu deveria gritar e sair correndo, aliás, eu deveria fazer tantas coisas, mas estou presa em meus próprios medos, como um pobre animal preso numa armadilha de um caçador qualquer. Eu quero enlouquecer, pois cansei de trazer comigo esse sorriso falso, que engana à todos, me torturando aos poucos. Será que já devo desistir ou só continuar com minha inútil vida sofrida? Minhas perguntas mal-formuladas e sem respostas martelam minha mente, apertam meu coração e fazem minhas pernas fraquejarem, mas tento freneticamente continuar de pé, com o meu orgulho de não me mostrar fraca na frente dos outros. Talvez se não fosse por este meu orgulho, eu poderia ter respostas para minhas perguntas mal-formuladas. Eu poderia correr e pedir ajuda a alguém, sem ter medo de me mostrar fraca, derrotada, desesperada, pois afinal é assim que estou me sentindo nesse momento, mesmo que reflita para as pessoas ao meu redor que sou uma garota forte. A verdade é que eu realmente preciso de ajuda, preciso tentar confiar em alguém, mesmo correndo risco dessa pessoa ser como as outras que já passaram em minha vida. É que, tantas pessoas que diziam ser meu amigo, foram embora na primeira oportunidade. Depois de tantas idas, eu me fechei no meu mundo. Parei de confiar nas pessoas e depois disso, a minha única companheira, era a solidão. Mas agora eu vejo que, eu não sou forte o bastante para aguentar tudo isso sozinha. Preciso de alguém que esteja do meu lado, sempre e que não me abandone e sim, que fique, mesmo nas horas ruins. Mas é que, por mais que eu tente, eu não consigo mais encontrar alguém em que eu realmente confie. Mas eu não vou desistir. Já aguentei tantas coisas, seria inútil desistir agora. Já suportei inúmeras partidas, incontáveis corações partidos e incalculáveis dores torturantes. Tudo isso sozinha, nunca pedi ajuda de ninguém, mas isso não significa que nunca precisei de ninguém, pois sim, eu precisei, e muito, mas não encontrei ninguém. A verdade é que desisti das pessoas, eu desisti de mim. E agora nada mais vale, nada mais importa. Eu perdi a vontade de estar entre os vivos. Sinto que sou apenas uma alma perdida vagando em meio à escuridão. Uma alma sem eira nem beira, sem ter para onde ir e por onde se esconder. Que vive na solene esperança de encontrar alguém, um certo alguém, que possa preencher o vazio insaciável do meu coração.”
